Messi faz gol até sem querer?

Messi, nosso hermano eleito duas vezes o melhor jogador do mundo, disse há alguns dias que faz gol pelo Barcelona “até sem querer”. Essas foram as palavras do astro do time catalão numa entrevista que concedeu ao canal TyC Sports, da argentina. Essa revelação surgiu após ser questionado sobre o porquê de ele não ter na seleção o mesmo rendimento que apresenta em gramados espanhóis.
“Faço gols de todas as maneiras no Barcelona, até sem querer, e na seleção tento de todas as formas, mas não consigo marcar. Tento ter tranquilidade à frente da meta e que a pressão por não fazer gols não tome conta de mim”, afirmou Lionel Messi.
Trocando em miúdos, ele falou muito, mas não foi direto ao ponto. O que deveria ter dito era que no Barça existe toda uma estrutura e jogadores de ponta que trabalham incansavelmente para colocá-lo em condições de concluir em gol. Saliento, porém, que o argentino é talentosíssimo com a bola nos pés. Seria muita presunção minha retirar todos os méritos dele. Acontece que jogar num time como o Barcelona tudo acaba se tornando fácil. Arrisco-me a dizer que até um jogador meia-boca viraria artilheiro por lá — e também conseguiria estufar as redes sem querer.
Dito isso, pergunto a você, leitor ou leitora: quando um jogador de futebol é escolhido o melhor do mundo ele não deveria ser craque em qualquer time ou seleção que viesse a jogar?
Dica de leitura: “Dossiê Brasília: Os Segredos dos Presidentes”, Geneton Moraes Neto

Dossiê Brasília: Os Segredos dos Presidentes (Globo; 265 páginas; 21,90 reais), escrito por Geneton Moraes Neto, repórter e editor-chefe do dominical Fantástico, é obra que merece espaço reservado na estante de todo cidadão que se interessa por política e pela história do Brasil. O livro gira em torno de depoimentos relevantes concedidos pelos ex-presidentes da República José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco (1930-2011) e Fernando Henrique Cardoso sobre os mais variados assuntos, que vão desde o processo de redemocratização do país, até o Plano Real, passando, claro, por temas bastante espinhosos para alguns, como, por exemplo, o impeachment de um certo caçador de marajás.
Sem dúvida, uma leitura salutar para quem quer conhecer com fidelidade a fisionomia do poder de 1985 a 2002.
Dica de leitura: “Dois Irmãos”, Milton Hatoum

O livro Dois Irmãos (Companhia das Letras; 200 páginas; 22,50 reais), do escritor amazonense Milton Hatoum, conta a história de Yaqub e Omar, dois irmãos gêmeos de origem libanesa que se odeiam e vivem em meio a constantes conflitos. Gêmeos que apesar de idênticos fisicamente, são totalmente diferentes psicologicamente. Yaqub é frio, vingativo, estudioso, determinado a conseguir tudo o que quer, futuro engenheiro. Omar é boêmio, mulherengo, acomodado, preguiçoso, sem perspectivas de sucesso.
Com um texto bem tramado, mantendo clara intertextualidade com o livro Esaú e Jacó, de Machado de Assis, e com a história bíblica de Caim e Abel, Hatoum também discorre sobre outros temas cruciais para compreendermos todo o teor da obra ambientada na cidade de Manaus.Narrado em primeira pessoa por um personagem deslocado, desencontrado, que mais tarde se revela filho de um dos irmãos com a empregada da casa, Dois Irmãos também é o relato a respeito de uma família desunida, de um lar desestruturado, fadado ao caos e à ruína, como a própria epígrafe da narrativa já anunciava através de alguns versos do poeta Carlos Drummond de Andrade:
A casa foi vendida com todas as lembranças
todos os móveis todos os pesadelos
todos os pecados cometidos ou em vias de cometer
a casa foi vendida com seu bater de portas
com seu vento encanado sua vista do mundo
Seus imponderáveis [...]
Pai omisso diante dos problemas. Mãe que privilegia um filho em detrimento do outro. Irmã que vê em seus irmãos a materialização do homem ideal para sua vida. Emparedamentos existenciais, análises sociais e a presença do diálogo entre o regionalismo e a cultura estrangeira. Essas são algumas das problemáticas e situações que rodeiam a obra e prendem a atenção do leitor do princípio ao fim, sempre numa linguagem simples, porém culta, típica do escritor Milton Hatoum.